segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Qual é a Imagem que Você faz de Deus?
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
'Avatar' Levanta Questão Sobre a Criação
Tradução: Carlos Augusto Vailatti.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Por que Deus Permite que Ocorram Tantas Tragédias?

O ano de 2010 mal começou e já nos deixou bastante perplexos e assustados diante das inúmeras e sucessivas catástrofes envolvendo diversos elementos da natureza.
No Rio Grande do Sul, uma ponte desabou provavelmente devido às fortes chuvas e, conseqüentemente, também devido às fortes correntezas do rio Jacuí, fazendo com que várias pessoas que estavam sob ela naquele momento viessem a perder as suas vidas. Em São Luiz do Paraitinga (interior de São Paulo), a enchente destruiu praticamente toda a cidade e deixou milhares de desabrigados. Em Angra dos Reis (Rio de Janeiro), os deslizamentos de terras provocados pelas fortes chuvas, deixaram o triste saldo de 52 pessoas mortas. E, agora, como se tudo isso já não bastasse, o Haiti acaba de sofrer o maior terremoto dos últimos 200 anos, o qual atingiu 7,0 graus na escala Richter, provocando assim a morte de milhares de pessoas.
Procura-se Deus
Ora, diante de tantas tragédias e de tamanhas catástrofes provocadas pela natureza, muitos acabam se perguntando: “onde Deus estava durante essas tragédias?”. Ou então, “por que Deus não fez nada para impedir tais catástrofes?”. Bem, estas perguntas são legítimas e, portanto, merecem uma resposta. E, no intuito de tentar respondê-las, creio que seja pertinente vermos antes o que o Salmo 46.1-3 nos diz:
“1Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. 2Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares; 3Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza”.
Este salmo, embora escrito há mais de 2.500 anos atrás, continua sendo bastante atual. E, os seus três primeiros versos nos ensinam basicamente duas coisas: 1) Já naquela época as pessoas sofriam com as mesmas catástrofes da natureza assim como as experimentamos nos dias de hoje, tais como: a) terremotos (vv.2a, 3a) e b) maremotos (vv. 2b, 3b). 2) Diante dos desastres naturais, o homem piedoso daquele tempo sabia que deveria depositar a sua confiança somente em Deus, e não nas questões efêmeras desta vida (v.1). O salmista, diante deste quadro negro pintado pelas destrutivas forças da natureza, exclamou: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza diante das grandes catástrofes naturais e, por isso, não temeremos!”.
Sim, mas e Daí?!
A despeito de todos esses dados, somos ainda impulsionados a pensar: “Tudo bem, mas porque Deus permite que existam tantas tragédias na vida humana, tais como: doenças incuráveis, quedas de aviões, ‘balas’ perdidas, furacões, acidentes de trânsito, enchentes, guerras e, sobretudo, terríveis terremotos, tais como esse do Haiti, que ceifou milhares de vidas?”.
Esses questionamentos nos remetem a uma antiga e difícil questão filosófico-teológica: “Como o mal (tanto moral quanto natural) pode existir em um mundo criado por um Deus absolutamente bom e todo-poderoso?”.
O filósofo e economista inglês, John Stuart Mill (1806-1873), defendendo o ponto de vista ateísta e, portanto, recheado de ceticismo, respondeu a esta pergunta argumentando que Deus normalmente faz coisas que, se fossem feitas por seres humanos, resultaria na prisão e no castigo destes últimos. Mill declarou que Deus, através da natureza, inflige a doença, a dor e até mesmo tormentos aos seres humanos. Além disso, ele declara que Deus tira a vida de todo ser humano, o que ele entende por “assassinato”. Sendo assim, por que Deus deve ser desculpado e os seres humanos devem ser condenados por estes crimes terríveis?
Ora, o que esse filósofo não percebeu é que Deus é um ser único, singular, sui generis, e, dessa forma, não pode ser jamais confundido com a Sua criação. Mill não entendeu que Deus é soberano sobre todas as formas de vida – pois foi Ele quem as criou – e quem, portanto, detém todo o direito sobre as mesmas, o que inclui o direito de tirá-las (Dt 32.39,40; 1 Sm 2.6; Jó 1.21) de acordo com os seus soberanos e insondáveis desígnios.
Além disso, devemos lembrar aqui as palavras de dois eminentes autores sobre este assunto. J. B. Phillips (Seu Deus é Pequeno Demais, p.51) declarou: “é preciso admitir com franqueza, que, neste mundo eminentemente empírico em que Deus concedeu ao homem o perigoso privilégio do livre arbítrio, ocorrem, inevitavelmente, ‘doenças e acidentes’”. E C. S. Lewis (O Problema do Sofrimento, p.64), que concorda com esta afirmação, comenta: “a possibilidade do sofrimento é inerente à própria existência de um mundo onde almas possam encontrar- se”. Aliás, dando prosseguimento ao seu pensamento, Phillips declara (Idem, p.52):
“As pessoas que acham que Deus é uma Desilusão, é porque não entenderam as condições que Ele estipulou ao conceder que habitássemos este planeta. [...] O erro, porém, está em que interpretam mal as condições desta presente vida, que é temporária, e durante a qual Deus retém a Sua Mão, por assim dizer, para dar lugar à execução do Seu plano de livre arbítrio [concedido ao homem]. A justiça [por trás de todo este sofrimento, aparentemente injusto aos nossos olhos] só será cabalmente satisfeita, depois que a cortina descer sobre o atual palco da vida, as luzes desse teatro se apagarem e sairmos todos, então, para o Mundo Real [a vida eterna com Cristo]”.
Mas, o que a Bíblia tem a nos Dizer sobre o Problema do Mal?
Neste momento, devemos recordar aqui as palavras de Paulo que envolvem a questão sobre o problema do mal no mundo:
“18Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada,[...]20Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, 21Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.18, 20-21).
Neste trecho das Escrituras, Paulo fala sobre três aspectos básicos do mal em nossa condição humana:
Primeiro, é dito que o mal é algo temporário e está relacionado a este mundo e que também ele contrasta, portanto, a uma condição melhor que esta, a qual se revelará no futuro (v.18).
Segundo, Paulo diz que “a criação (no sentido mais amplo) ficou sujeita à vaidade” (v.20). Aqui, a palavra “vaidade” (gr. mataioteti), pode ser traduzida, por exemplo, como “futilidade, vacuidade, vazio, inutilidade, esterilidade”. Em outras palavras, o apóstolo está dizendo toda a criação está sujeita ao caos e à inutilidade, condição esta que foi provocada primariamente pelo pecado humano. O que está em foco aqui é a questão do sofrimento como um todo. Deus sujeitou toda a sua criação a uma existência aparentemente “vã”, permitindo (no caso dos seres humanos, por exemplo) que fôssemos suscetíveis a todo o tipo de sofrimento, quer seja provocado por desastres da natureza, por enfermidades, por quaisquer outras tragédias e até mesmo pela morte. Tal sujeição teve e tem o propósito de ensinar a todos os seres humanos o quão terrível é o pecado, bem como, como são trágicas as suas conseqüências para a nossa vida.
Terceiro, o apóstolo nos diz ainda que a nossa condição humana (permeada por todos os tipos de adversidades e reveses) terminará por redundar, de alguma forma, em um bom resultado, pois “a mesma criatura será libertada [um dia] da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (v. 21).
Resumindo, Paulo está nos ensinando que não devemos “depositar todas as nossas fichas” ou “apostar todas as nossas cartas” na nossa efêmera, breve e instável existência terrena que, aliás, um dia acabará. O apóstolo está nos convidando para elevarmos os nossos olhares para além das nuvens, a fim de que ajuntemos o nosso “tesouro” no céu, onde a traça e a ferrugem não conseguem exercer o seu poder destrutivo e também onde os ladrões não poderão mais nos roubar (cf. Mt 6.19-21).
Uma Palavra Final
Bem, a fim de concluir o nosso pensamento, devemos dizer que o sofrimento é um intruso na criação de Deus. Deus nunca intencionou que ele existisse. Todavia, o pecado entrou em nosso mundo e em nossa existência e, com o pecado, vieram juntos o sofrimento, os conflitos, as dores, a corrupção e a morte. Portanto, se há um culpado por trás de tantas tragédias na história humana, este culpado certamente não pode ser Deus, mas sim o próprio ser humano.
O homem, ao contrário do rei Midas da mitologia grega que transformava em ouro tudo o que ele tocava, mancha tudo o que toca. Devido à sua natureza pecadora, o ser humano consegue direta e indiretamente arrasar, destruir e corromper aquilo que Deus criou perfeito (por exemplo, a terra, o mar, o clima etc). Dessa forma, mais cedo ou mais tarde, o homem acaba se tornando o arquiteto da sua própria ruína.
Neste momento, você pode estar se perguntando: “Espere aí! Você está querendo me dizer que o pobre povo haitiano é o culpado por esse terrível terremoto que dizimou milhares de vidas?” Respondo: É claro que os próprios haitianos não têm nenhuma culpa ou responsabilidade direta sobre esse trágico terremoto. (Aliás, a minha oração a Deus é para que o povo haitiano possa se recuperar o mais brevemente possível dessa catástrofe). Mas, o ser humano como um todo, independentemente da sua nacionalidade (pois Deus nos enxerga de forma supranacional), devido aos seus pecados historicamente acumulados, é o responsável por vários tipos de catástrofes, de forma direta e indireta. Devemos nos lembrar aqui que o homem, ao pecar, trouxe maldição não somente sobre si, mas também sobre toda a terra, a ponto de Deus declarar: “maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17).
Sendo assim, quem é o culpado por existirem tantas tragédias? O diabo? Os demônios? O acaso? A própria natureza? Deus? O homem? Bem, penso que o ser humano, de forma geral, é o maior responsável pelas grandes tragédias de sua própria existência terrena. Seus atos, como se fossem poderosos bumerangues, de maneira inexplicável, cedo ou tarde, acabam voltando na direção de quem os arremessou.
Além disso tudo, penso que o sofrimento, por mais desagradável que seja, tem inúmeros propósitos, tais como: 1) conscientizar-nos de que somos seres dependentes (de Deus); 2) fazer-nos ficar mais próximos de outros seres humanos, tornando-nos, inclusive, pessoas mais solidárias com o sofrimento alheio; 3) fazer o homem conhecer a sua própria miséria; 4) fazê-lo humilhar-se diante de Deus; e 5) fazê-lo saber que tudo na existência terrena é efêmero e que, portanto, ele (o homem) deve se voltar para valores transcendentes e eternos.
Ora, se quiséssemos mesmo ser pessoas honestas, em vez de perguntarmos apenas: “Por que um Deus bom permite que o mal exista?”, deveríamos perguntar: “Por que um Deus justo e santo permite que pecadores tão maus como eu e você ainda continuem vivos?”.
Depois dessa tragédia ocorrida no Haiti, alguém me perguntou: “Como Deus pôde permitir que cerca de 45 mil pessoas morressem? (segundo as estimativas atuais)”. Eu respondi: “Bem, se o Haiti possui uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, como Deus foi misericordioso por preservar a vida dos mais de 9,5 milhões de pessoas restantes!”
Por fim, Como bem declarou C. S. Lewis (Idem, p.67): “[...] o sofrimento insiste em ser notado. Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nosso sofrimento: ele [o sofrimento] é o seu megafone [de Deus] para despertar um mundo surdo”.
O ano de 2010 mal iniciou e este megafone já foi utilizado inúmeras vezes. Aliás, não sabemos quantas vezes mais ele ainda será usado. Diante disso, uma pergunta paira no ar: Quando será que despertaremos de nossa letargia?!
Em Cristo,
Carlos Augusto Vailatti
São Paulo: Cidade Cujos Caminhos nos Convidam a Pensar em Deus

Como se já não bastasse o fato da cidade ter o privilégio de poder ostentar o nome do grande sistematizador da fé cristã, o apóstolo Paulo, muitas de suas ruas, travessas e avenidas também trazem consigo nomes que lembram alguns lugares e personagens da Bíblia, bem como, o conteúdo da fé cristã. E, se palmilharmos por alguns caminhos desta megalópole, ficaremos simplesmente surpresos por ver os itinerários que ela nos reserva. Porém, antes da nossa caminhada, duas observações se fazem necessárias. Primeira, todos os nomes de logradouros que forem citados a seguir, além dos seus respectivos bairros entre parênteses, são reais! Segunda, os endereços estão agrupados de acordo com as regiões da cidade nas quais se encontram. Bem, depois destes esclarecimentos, comecemos então o nosso “passeio temático”, ou seja, o nosso tour bíblico-religioso por São Paulo.
ZONA NORTE
Ao andar pela zona norte da capital paulista você poderá se deparar com locais tais como: Rua Eva, Rua das Promessas e Travessa Eternidade (Vila Medeiros); Praça Cruz da Esperança e Rua Galiléia (Casa Verde); Rua do Mestre (Brasilândia); Rua Éfeso (Vila Maria) e Rua do Perdão (Freguesia do Ó).
ZONA SUL
Depois, ao se dirigir à zona sul de São Paulo, você pode se defrontar com as seguintes localidades: Rua do Livramento, Rua Santa Cruz, Praça Dia do Senhor e Rua do Paraíso (Vila Mariana); Rua Árvore da Vida e Rua Jesus Cristo (Capão Redondo); Rua da Paz, Rua Verbo Divino e Rua dos Milagres (Santo Amaro); Avenida Divino Salvador e Rua do Céu (Jabaquara); Rua do Eterno e Travessa Lágrimas de Cristo (Grajaú); Rua Viagem ao Céu (Sacomã); Travessa Comunhão (Campo Belo); Rua Atenas (Jardim Paulista) e Rua Discípulos de Emaús (Cidade Dutra).
ZONA LESTE
Já indo em direção à zona leste da capital, você poderá “esbarrar” nos seguintes endereços: Avenida Mar Vermelho (Cidade Líder); Praça da Bíblia (Vila Matilde); Rua Timóteo (São Mateus); Rua Paixão e Fé (Vila Jacuí); Rua Adoração dos Magos (Penha); Rua Bom Jesus (Água Rasa); Rua Santo Cristo e Travessa Profeta Naum (São Miguel); Rua Assembléia de Deus e Rua Pentecostes (Vila Prudente); Rua Ascensão, Rua Nova Jerusalém, Avenida Dalila e Avenida Dedo de Deus (Tatuapé); Rua Profeta Jeremias, Rua Rei Davi, Travessa Pão e Vinho e Travessa Mar Morto (Jardim Iguatemi); Rua Apóstolo André, Rua Apóstolo Bartolomeu, Rua Apóstolo Filipe, Rua Apóstolo João, Rua Apóstolo Judas Tadeu, Rua Apóstolo Mateus, Rua Apóstolo Simão Pedro, Rua Apóstolo Tiago Maior, Rua Apóstolo Tiago Menor, Rua Apóstolo Tomé, Rua Doze Apóstolos e Rua dos Salmos (Cidade Tiradentes); Rua Apóstolo Simão Cananeu e Rua da Fé (Guaianazes) e Rua Criador (Itaquera).
ZONA OESTE
Além disso, se você andar pelos lados da zona oeste de São Paulo, você poderá “dar de cara” com os seguintes locais: Avenida Cristo Rei (Pirituba); Rua Éden e Rua Corinto (Butantã) e Praça da Ressurreição (Vila Sonia).
ZONA CENTRAL
Finalmente, se você se dirigir à zona central da capital paulista, você irá encontrar os seguintes endereços: Rua da Glória e Rua Espírito Santo (Liberdade); Rua da Consolação e Largo da Misericórdia (Centro) e Rua da Graça (Bom Retiro).
Estes exemplos de endereços reais que foram citados servem para nos mostrar que, São Paulo, além de ser a cidade onde se trabalha muito (como é conhecida), também é a cidade que respira, inspira e transpira religiosidade e fé cristã!
Aliás, através de alguns desses endereços que acabamos de ver, São Paulo nos oferece o itinerário completo que nos conduz à salvação. Se você duvida, então dê só uma olhada nisso.
Primeiro, entre na “Rua Viagem ao Céu”. Depois, vire à direita na “Rua do Mestre”. Esta rua tem a sua continuação com outro nome: “Rua Jesus Cristo”. Depois, se ajoelhe diante da “Rua Santa Cruz”, a qual desemboca na “Rua do Perdão” e é paralela à “Rua do Livramento”. Não se preocupe, porque esta rua é totalmente segura. A seguir, você verá uma bifurcação. À sua esquerda estará a “Travessa Mar Morto” e à sua direita a “Rua da Fé”. Entre nessa rua à direita, que cruza a “Rua da Graça” e a “Rua Espírito Santo”. Esta rua te fará chegar à “Rua do Paraíso” e à “Rua do Céu”, sendo que ambas te levarão a um mesmo endereço, uma rua extremamente íngreme, chamada “Rua Criador”.
Ora, Àquele que é Poderoso para nos conduzir até a presença do Pai, sejam o louvor e a glória para sempre!
Carlos Augusto Vailatti
domingo, 13 de dezembro de 2009
A Regulamentação da Profissão de Teólogo no Brasil
Na opinião de Paim, o tema "é explosivo" e será preciso realizar mais audiências públicas. Ele disse que tem recebido muitos e-mails de pessoas pedindo, inclusive, que a profissão não seja regulamentada e previu que a matéria só estará pronta para entrar da pauta da CAS em fevereiro ou março do próximo ano. Paim solicitou que as colaborações ao projeto sejam enviadas diretamente ao seu e-mail: paulopaim@senador.gov.br.
A presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), concordou com a ampliação do debate devido à complexidade do tema e à diversidade de religiões que ainda precisam ser ouvidas.
Participaram da audiência o vice-presidente do Conselho Interconfessional para o Ensino Religioso de Goiás (Ciergo), Darcy Cordeiro; o professor da Faculdade Evangélica de Brasília Isaías Lobão Pereira Jr.; o presidente da Convenção Brasileira dos Ministros das Igrejas, Assembleias de Deus, Ministérios de Missões e Igrejas Filiadas (Cobramad), João Batista Isaquiel Ferreira; e o vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica, Valmor da Silva.
Darcy Cordeiro disse que é preciso distinguir melhor o bacharelado da licenciatura. Ele explicou que o bacharel em Teosofia está devidamente conceituado no projeto e é aquele que faz a reflexão sobre a fé e acredita na revelação cristã. No caso da licenciatura não, pois se refere ao professor de Teosofia, que é licenciado em ensino da religião, é o cientista que aborda as ciências sobre o fenômeno religioso sem vinculação a uma religião específica. O representante da Ciergo também discordou do inciso (III do Art. 1º) que incorpora os teólogos não diplomados que tenham exercido a atividade há mais de cinco anos.
Isaías Lobão, por sua vez, defendeu a permanência daquele inciso. Ele disse que os teólogos sem formação acadêmica estão na labuta diária, mas não deixam de buscar a educação formal que lhes falta. João Batista lembrou que peões de rodeio e guardadores de carros já são profissionais regulamentados e disse que a aprovação dessa lei seria o resgate de uma dívida com quem batizou, casou, aconselhou, consolou e esteve ao lado das pessoas na hora da morte. Batista pediu que o PLS tramitasse em regime de urgência.
Valmor da Silva afirmou que, por ser "amplo e confuso", o projeto de lei poderá prejudicar os teólogos em vez de beneficiar. Ele disse que, antes de regulamentar é preciso definir melhor o que é a profissão. Valmor lembrou que a licenciatura de Teologia não existe no Brasil e classificou como "problema" os cursos livres que não são regulamentados. Ele também repudiou o inciso que dispensa diploma para quem exerce a profissão há mais de cinco anos.
- Nós rejeitamos veementemente. Sem diploma, de jeito nenhum. Tem que ter preparo acadêmico - afirmou.
Ricardo Icassatti / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
domingo, 8 de novembro de 2009
A Religião do "Vale Tudo"
A Religião do “Vale Tudo”
O “vale tudo” é aquela modalidade de luta que permite aos lutadores praticarem numa única competição golpes que são característicos de vários tipos de artes marciais. No Brasil, por exemplo, misturam-se golpes de jiu-jitsu, boxe e muay thai. De forma geral, podemos definir o “vale tudo” como aquele tipo de luta onde praticamente não há regras e nem restrições com relação aos golpes desferidos e também onde há o contato pleno entre os lutadores.
Bem, transferindo este conceito de “vale tudo” dos ringues para o campo da fenomenologia da religião, atrevo-me a dizer que estamos vivendo dias nos quais a religião tem se valido de tal modalidade de luta a fim de poder conquistar os seus fiéis. Como diziam os antigos: “Estamos vivendo nos fins dos tempos!”.
Ora, para exemplificar o que digo, cito aqui a reportagem da revista Veja Rio (edição de 07/10/2009 - Ano 42 - Nº 40) que li dias atrás. O título da capa deste prestigiado meio de comunicação trazia o seguinte enunciado sobre as práticas de algumas igrejas católicas do Rio de Janeiro: “GUERRA SANTA - Na luta por fiéis, igrejas católicas da cidade promovem festas, sessões de exorcismo e até bênção de animais”. Ao ler esta revista de forma mais detida, me deparei com alguns fatos bastante intrigantes. Segundo a reportagem, “o leque de atrações [na Igreja Católica] se abriu: há (...) sessões de exorcismo, bênçãos de animais e festas rave embaladas por trilha sonora eclesiástica” (pp.19,20). Além disso, a reportagem ainda diz que "cachorros, gatos, papagaios e passarinhos são bem-vindos o ano inteiro [para serem benzidos pelo padre dentro da igreja!]. Tem até gente que vai à missa acompanhada do bichinho de estimação”(p.22). Porém, antes de reparar no “cisco” que está no olho do catolicismo, temos que enxergar primeiro a “trave” que está no olho do nosso evangelicalismo atual.
De uns tempos pra cá, vários segmentos da igreja evangélica brasileira têm lutado insistentemente o “vale tudo” em cima dos púlpitos, nos programas televisivos, nas rádios e também através das propagandas distribuídas em panfletos. Tudo isso tem sido feito no afã de trazer novos fiéis para dentro do aprisco do Senhor. No tatame, são dados golpes com os pés, com os joelhos, com os punhos etc. Já na esfera do sagrado, os golpes também são bem diversificados. Eis alguns deles: distribuição de rosas ungidas, sabonetes ungidos, fitas e pulseiras ungidas, sal grosso, pedra ungida e vassoura consagrada, para citar apenas alguns. Além disso, há também a reunião da troca do anjo (onde o seu anjo “fraco” pode ser substituído por outro mais forte), o tal do toque profético do shofar, a corrente das sete semanas, o tradicional copo com água abençoado (a versão “evangélica” da água benta) e tantos outros “golpes” de “vale tudo” que são praticados com o intuito de “nocautear” os novos fiéis.
É curioso observar que as regiões do corpo que são afetadas no “vale tudo” são praticamente as mesmas tanto nos ringues quanto nos púlpitos. Aliás, destes últimos são desferidos golpes principalmente:
1) contra a “cabeça” dos fiéis (por meio de uma pregação muitas vezes saturada de elementos extraídos da programação neurolinguística [PNL], que segue técnicas “Lair Ribeirianas”, técnicas de sugestionamento, verborragia positivista e outras que seguem o modelo: “suas palavras têm poder”);
2) contra o “coração” dos fiéis (através de apelos motivacionais, chantagens psicológicas, modismos etc);
3) contra o “bolso” dos fiéis (por intermédio de um culto que gira em torno de apelos financeiros, teologia da prosperidade e situações afins, nas quais é dito, por exemplo: “Deus só irá te abençoar se você der uma boa quantia de oferta”. Parafraseando aquele conhecido ditado: “templo é dinheiro!”).
Sei que devemos nos adaptar aos novos tempos em que vivemos. Todavia, esta “adaptação” jamais poderá ser confundida com o ato de fazer certas concessões com relação às verdades absolutas contidas no Evangelho de Cristo. Hoje, muitas igrejas, ao correrem atrás de suas “clientelas” e de seus “fregueses”, estão usando todos os tipos de artifícios com o objetivo de poder “fisgar” seus novos adeptos. Porém, creio que devemos ser bastante cautelosos em nossas “técnicas de conversão”, pois há uma linha muito tênue entre a “criatividade sadia” que Deus nos dá para que ganhemos almas (Pv 11.30b) e a “manipulação carnal” que é empregada por muitos “espertos” com o propósito de iludir e enganar os incautos (Mt 7.15).
Tomemos bastante cuidado, pois nessa luta de “vale tudo”, nós mesmos estamos correndo o sério risco de sermos “nocauteados” a qualquer momento.
Em Cristo,
Carlos Augusto Vailatti


