domingo, 8 de novembro de 2009

A Religião do "Vale Tudo"


A Religião do “Vale Tudo”

O “vale tudo” é aquela modalidade de luta que permite aos lutadores praticarem numa única competição golpes que são característicos de vários tipos de artes marciais. No Brasil, por exemplo, misturam-se golpes de jiu-jitsu, boxe e muay thai. De forma geral, podemos definir o “vale tudo” como aquele tipo de luta onde praticamente não há regras e nem restrições com relação aos golpes desferidos e também onde há o contato pleno entre os lutadores.

Bem, transferindo este conceito de “vale tudo” dos ringues para o campo da fenomenologia da religião, atrevo-me a dizer que estamos vivendo dias nos quais a religião tem se valido de tal modalidade de luta a fim de poder conquistar os seus fiéis. Como diziam os antigos: “Estamos vivendo nos fins dos tempos!”.

Ora, para exemplificar o que digo, cito aqui a reportagem da revista Veja Rio (edição de 07/10/2009 - Ano 42 - Nº 40) que li dias atrás. O título da capa deste prestigiado meio de comunicação trazia o seguinte enunciado sobre as práticas de algumas igrejas católicas do Rio de Janeiro: “GUERRA SANTA - Na luta por fiéis, igrejas católicas da cidade promovem festas, sessões de exorcismo e até bênção de animais”. Ao ler esta revista de forma mais detida, me deparei com alguns fatos bastante intrigantes. Segundo a reportagem, “o leque de atrações [na Igreja Católica] se abriu: há (...) sessões de exorcismo, bênçãos de animais e festas rave embaladas por trilha sonora eclesiástica” (pp.19,20). Além disso, a reportagem ainda diz que "cachorros, gatos, papagaios e passarinhos são bem-vindos o ano inteiro [para serem benzidos pelo padre dentro da igreja!]. Tem até gente que vai à missa acompanhada do bichinho de estimação”(p.22). Porém, antes de reparar no “cisco” que está no olho do catolicismo, temos que enxergar primeiro a “trave” que está no olho do nosso evangelicalismo atual.

De uns tempos pra cá, vários segmentos da igreja evangélica brasileira têm lutado insistentemente o “vale tudo” em cima dos púlpitos, nos programas televisivos, nas rádios e também através das propagandas distribuídas em panfletos. Tudo isso tem sido feito no afã de trazer novos fiéis para dentro do aprisco do Senhor. No tatame, são dados golpes com os pés, com os joelhos, com os punhos etc. Já na esfera do sagrado, os golpes também são bem diversificados. Eis alguns deles: distribuição de rosas ungidas, sabonetes ungidos, fitas e pulseiras ungidas, sal grosso, pedra ungida e vassoura consagrada, para citar apenas alguns. Além disso, há também a reunião da troca do anjo (onde o seu anjo “fraco” pode ser substituído por outro mais forte), o tal do toque profético do shofar, a corrente das sete semanas, o tradicional copo com água abençoado (a versão “evangélica” da água benta) e tantos outros “golpes” de “vale tudo” que são praticados com o intuito de “nocautear” os novos fiéis.

É curioso observar que as regiões do corpo que são afetadas no “vale tudo” são praticamente as mesmas tanto nos ringues quanto nos púlpitos. Aliás, destes últimos são desferidos golpes principalmente:

1) contra a “cabeça” dos fiéis (por meio de uma pregação muitas vezes saturada de elementos extraídos da programação neurolinguística [PNL], que segue técnicas “Lair Ribeirianas”, técnicas de sugestionamento, verborragia positivista e outras que seguem o modelo: “suas palavras têm poder”);

2) contra o “coração” dos fiéis (através de apelos motivacionais, chantagens psicológicas, modismos etc);

3) contra o “bolso” dos fiéis (por intermédio de um culto que gira em torno de apelos financeiros, teologia da prosperidade e situações afins, nas quais é dito, por exemplo: “Deus só irá te abençoar se você der uma boa quantia de oferta”. Parafraseando aquele conhecido ditado: “templo é dinheiro!”).

Sei que devemos nos adaptar aos novos tempos em que vivemos. Todavia, esta “adaptação” jamais poderá ser confundida com o ato de fazer certas concessões com relação às verdades absolutas contidas no Evangelho de Cristo. Hoje, muitas igrejas, ao correrem atrás de suas “clientelas” e de seus “fregueses”, estão usando todos os tipos de artifícios com o objetivo de poder “fisgar” seus novos adeptos. Porém, creio que devemos ser bastante cautelosos em nossas “técnicas de conversão”, pois há uma linha muito tênue entre a “criatividade sadia” que Deus nos dá para que ganhemos almas (Pv 11.30b) e a “manipulação carnal” que é empregada por muitos “espertos” com o propósito de iludir e enganar os incautos (Mt 7.15).

Tomemos bastante cuidado, pois nessa luta de “vale tudo”, nós mesmos estamos correndo o sério risco de sermos “nocauteados” a qualquer momento.

Em Cristo,

Carlos Augusto Vailatti

O Islã - Programa Mais Você (Rede Globo) - Parte II

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O Judaísmo - Programa Mais Você (Rede Globo) - Parte II

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

E Disse Deus: "Haja Cruz". E Houve Cruz.


Esta breve reflexão tem o objetivo de nos mostrar, entre outras coisas, que foi o próprio Deus quem tomou a iniciativa no ato de redimir o ser humano de seus pecados. Esse fato é tão evidente que a Bíblia chega até mesmo a falar sobre o "Cordeiro [Jesus] que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8). Isto é, antes que o homem existisse e, portanto, antes que pudesse praticar qualquer obra em seu favor (e até mesmo contra si próprio), Deus já havia planejado a cruz.

Aliás, é curioso observar como a cruz projeta a sua "sombra" sobre toda a Bíblia, até culminar na morte de Jesus Cristo no madeiro. Com isso, Deus estava mostrando ao homem, ao longo do tempo, de que forma Ele haveria de salvar o ser humano, ou seja, através da crucificação de Seu Filho. Dito de outra maneira, a cruz foi o jeito que Deus encontrou para poder declarar o Seu eterno amor para com toda a humanidade pecadora. O "haja cruz" pode ser notado em várias passagens do Antigo Testamento, nas quais a cruz já estava sendo prevista no pensamento de Deus.

Em Êxodo 12, no capítulo que trata sobre a instituição da Páscoa, o texto bíblico fala sobre o "cordeiro sem mácula" (v.5) que deveria ser sacrificado "à tarde" (v.6) e cujo "sangue" (v.7) deveria ser colocado nos umbrais das portas a fim de "proteger" (v.13) aqueles que estivessem dentro daquelas casas. Estes acontecimentos prefiguraram de forma admirável a morte do Cordeiro de Deus, Jesus, no Gólgota, pelos nossos pecados.

Em Êxodo (entre os capítulos 25-40), no corpo da narrativa que descreve toda a mobília que compunha o tabernáculo, vemos que a posição em que cada móvel se encontrava lembrava o contorno da cruz (basta traçar uma linha vertical imaginária, de baixo para cima, cujo "traçado" é formado pelo Altar do Holocausto, a Pia de Bronze, o Altar do Incenso e a Arca da Aliança. Tendo feito isso, imagine agora essa linha vertical sendo cruzada na horizontal por outra linha imaginária formada pelo Candelabro à esquerda e a Mesa dos Pães da Proposição à direita). Essa figura lembra os contornos geométricos da cruz!

Em Levítico, os sacrifícios expiatórios de animais também apontavam, em caráter temporário e rudimentar, para o perfeito sacrifício que seria realizado séculos depois, ou seja, o sacrifício de Cristo no Calvário.

Já em Números, vemos o relato sobre a serpente de metal que é hasteada por Moisés no deserto (Nm 21.4-9). O contexto da passagem nos fala sobre os israelitas murmuradores que foram picados por serpentes, muitos dos quais morreram. Acontece, porém, que todos aqueles que eram picados por estas serpentes venenosas e olhavam para essa serpente de metal, ficavam curados. Depois de passados mais de mil anos, o próprio Jesus, comentando esse evento, declarou o seguinte: "E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.14,15). Em outras palavras, Jesus comparou o hasteamento da serpente de metal no deserto com o seu próprio hasteamento na cruz!

Indo mais adiante, mais exatamente no livro dos Salmos, vemos Davi falar profeticamente sobre a crucificação de Jesus, ao dizer: "transpassaram-me as mãos e os pés" (Sl 22.16b). Detalhe: tais palavras foram ditas cerca de mil anos antes de Jesus ser conduzido à cruz!


Entrando nos livros proféticos, vemos os contornos da cruz serem fortemente delineados de forma magnífica no belíssimo texto messiânico de Isaías 52.13-53.12. E esse texto que fala, por exemplo, sobre o "cordeiro que foi levado ao matadouro" e que "não abriu a sua boca" (53.7) faz a ponte perfeita para a crucificação de Jesus tal como aparece narrada no Novo Testamento.

Nas páginas do Antigo Testamento a cruz existe na intenção salvífica e redentora de Deus. É algo que ainda não foi concretizado e, por isso, é apenas o "Haja Cruz". Porém, no Novo Testamento, o cumprimento desta intenção divina se realiza e, portanto, o resultado é: "E Houve Cruz". Conseqüentemente, houve também salvação! No Novo Testamento, o Verbo se fez carne para que, além de outros motivos, Deus pudesse principalmente se tornar "crucificável". Isso me faz pensar no maravilhoso texto de Hebreus 10.5: "Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste". Deus preparou um corpo físico para o Seu Filho, Jesus, para que este pudesse morrer na cruz pelos nossos pecados!


Nisso tudo podemos perceber como os valores de Deus são tão diferentes daquilo que os homens valorizam! Os homens, de forma individualista e materialista, dizem: "haja prosperidade", "haja prazer", "haja conforto", "haja poder", "haja diversão". Contudo, Deus, de forma altruísta, diz: "haja amor", "haja perdão", "haja reconciliação", "haja encarnação", "haja salvação" e, portanto, "Haja Cruz!". E Houve Cruz! E porque houve cruz, então hoje "temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1).


Ora, Àquele que nos reconciliou consigo mesmo por meio da cruz de Seu Filho, sejam o louvor, a glória e a honra para todo o sempre!


Em Cristo,

Carlos Augusto Vailatti

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os Tímidos não vão para o Céu?

Quando abrimos a nossa Bíblia em Apocalipse 21.8, encontramos uma declaração deveras perturbadora. O texto diz o seguinte:

"Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte".

O que eu acho surpreendente neste texto é o fato dos "tímidos" serem colocados no mesmo "pacote", juntos com os "incrédulos, abomináveis, homicidas, fornicários, feiticeiros, idólatras e mentirosos"! Aliás, os tímidos não apenas são misturados com esse tipo de gente, antes, são os primeiros a serem citados nesta terrível lista! Apenas a título de ilustração, é como se um "ladrão de galinhas" fosse preso juntamente com um serial killer da mais alta periculosidade e da pior espécie.

Diante disso, você pode se perguntar: "Por que Deus não gosta dos tímidos, uma vez que foi Ele mesmo quem criou cada ser humano com um tipo diferente de temperamento?". A esta altura, os crentes que são tímidos devem estar desesperados: "Meu Deus, mas que culpa eu tenho de ser acanhado e retraído?". Por outro lado, aqueles que são mais extrovertidos, brincalhões e expansivos devem estar se gabando: "Sempre soube que eu era o (a) preferido (a) de Deus!".

Bem, antes que os tímidos entrem em depressão e os extrovertidos se sintam a "última bolacha do pacote", devo dizer que o texto de Apocalipse não está querendo dizer nada disso. Explico: a palavra "tímidos" que aparece em Ap 21.8 vem do grego "deilois" que também pode ser traduzido como "medrosos, covardes". Mas então, o que significa dizer neste contexto que os "covardes", por exemplo, terão a sua parte "no lago de fogo e enxofre, o que é a segunda morte"?

Antes de tudo, é necessário dizer que entre os gregos da Antigüidade e, mais particularmente nas escolas filosóficas de moral, era comum a utilização de espécies de "listas de vícios" na instrução dos alunos. Tais listas forneciam uma determinada quantidade de "erros morais", os quais deveriam ser evitados por todos aqueles que quisessem seguir a prática da virtude. Ao que tudo indica, esse conceito de "listas de vícios" parece se refletir neste texto de Apocalipse.

Ora, mas por que os "tímidos", ou melhor, os "covardes" estão incluídos nesta lista? Para respondermos a esta pergunta temos que entender que o livro do Apocalipse é escrito em meio a um contexto de perseguição, dentro do qual todos aqueles que não prestassem o devido culto ao imperador romano seriam sentenciados à morte. Diante desse cenário, João faz então uma séria advertência aos cristãos covardes que, durante o tempo das perseguições, renunciavam a sua fé em Cristo com o intuito de preservarem suas vidas. Segundo o apóstolo, tais pessoas que se comportassem assim estavam sentenciadas ao "lago de fogo e enxofre".

A lição central desse texto de Apocalipse (particularmente no que se refere aos "covardes") é a seguinte: Em épocas de grande perseguição e tribulação, temos que ser corajosos na expressão da nossa fé em Cristo. Em outras palavras, não podemos ser como o "Crente-Xuxa", que, quando tudo está bem na sua vida, é só "beijinho, beijinho", mas quando tudo vai mal, ele vira as costas para Jesus e diz: "tchau, tchau!". Será que você já se deparou com pessoas desse tipo antes?

Na paz dAquele que deseja que sejamos corajosos na expressão da nossa fé,

Carlos Augusto Vailatti